Rev.Etos.v4n1.2020.052

 EDITORIAL


NOVOS DESAFIOS, NOVAS ABORDAGENS


NEW CHALLENGES, NEW APPROACHES



Eduardo Beltrão de Lucena Córdula ¹



¹Editor Chefe da Revista Etos, Editor Chefe da MAR Publicações, Presidente da ONG MAR, Professor e Pesquisador 




O ano de 2020 foi permeado de grandes desafios, onde o mundo mergulhou em um períodos de incertezas, provocadas pelo COVD-19, que assolou a humanidade, em uma pandemia inimaginável por esta geração. 
Os meses se passam, desde março, quando se deu o início do processo de isolamento social, como método preventivo ao contágio e propagação viral entre os cidadãos brasileiros. Ainda em meio às incertezas que afetaram a sociedade humana, em todos níveis e áreas, os cidadãos tiveram que aprender a conviver este novo “normal”. 
Os impactos negativos foram amplamente difundidos pela comunicação de massa, que afetaram social e psicologicamente à todos, devido ao medo pelos altos índices de mortalidade, que desestruturam famílias com perdas precoce de vidas humanas. Porém, a mídia também trouxe outro aspecto que o isolamento social, para os que cumpriram, foi a reconexão familiar, a valorização dos profissionais da educação e não último, mas talvez um dos mais importantes, a revitalização ambiental de áreas que antes eram afetadas quase que diariamente pela poluição, passaram a reduzir estes índices e trazendo benefícios ao planeta[1].
Economicamente quase todos foram afetados e, parte da população teve que se reinventar, se adaptar e conviver com a nova situação imposta. Novas oportunidades de emprego surgiram e o trabalho home office tomou novas proporções.

Na educação, os professores nos diversos níveis de ensino que, cotidianamente, ministravam suas aulas na forma presencial, tiveram que, em poucas semanas, aprenderem a utilizar redes sociais, plataformas digitais e buscar em recursos online, um meio eficiente para produzirem conteúdos, promover o ensino e a aprendizagem, de forma remota aos alunos. Houve uma ampla promoção de conteúdos para (re)qualificação de profissionais, com uma participação talvez, nunca prevista em outros períodos. As redes sociais tornaram-se o caminho para renovação e busca por novos saberes. O impacto provocado pela situação atual, forçou a saída de muitos de sua zona de conforto, quebrando a inércia e promovendo mudanças, que levaram à busca por saberes e novos espaços de atuação, tudo em um curto espaço de tempo. 
Porém, devido a manutenção do status quo da desigualdade socioeconômica histórica no Brasil, os que não tinham acesso à tecnologia e aos meios navegacionais online, permaneceram na inércia dos avanços. Ficaram a margem e excluídos. Alguns programas do governo e de instituições tentaram minimizar os efeitos, porém, só o tempo revelará os que ficaram no apagão da evolução intelectual e educacional, social e econômica.
Na ciência os cortes orçamentários continuaram[2], reflexo da ideologia política do governo atual, de desvalorização da ciência e da educação nacional, e as pesquisas tiveram que ser paralisadas. Muitos docentes/pesquisadores, estagiários e discentes de graduação e pós-graduação, ausentaram-se das Instituições de Ensino Superior (IES), das Instituições de Ensino Técnico (IET) e de institutos de pesquisa público e privados, em virtude do perigo de contágio e da eminente situação de isolamento social, como meio de prevenção à vida. Nunca se exigiu tanto da ciência como na atualidade[3] e, como o fato comprovado por todos ao redor do mundo foi que, sem ela, poderia ter sido muito pior. E os avanços para um vacina estão acelerados e brevemente teremos um retorno concreto e eficiente, graças a ciência.
Assim, mesmo neste caótico meio, com ausência de aplicação de políticas públicas, despreparo dos setores, instituições e grupos políticos, a população resistiu e muitos colaboraram para que o quadro não se agravasse. Porém, uma parte da população que de forma egoísta e individualista, de negação da realidade, da ciência e do conhecimento amplamente disseminado, acabaram colaborando para disseminação do vírus. 
Muitos buscaram superar suas limitações, se reinventaram, se reconstruíram e, novas oportunidades surgiram. Ficou evidente que, a capacidade de buscar, de evoluir e de aprender, proporcionou a gênese de novas competências e habilidades, e que permitam uma mudança de paradigmas individuais e coletivos, tantos em suas vidas pessoais, como profissionais. E, estas mudanças, provavelmente jamais retrocederão!
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[1] https://saude.abril.com.br/medicina/queda-da-poluicao-na-pandemia-de-coronavirus-ja-evitou-milhares-de-mortes/https://super.abril.com.br/sociedade/quarentena-diminui-poluicao-do-ar-ao-redor-do-mundo/
[2] https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2020/05/cortes-no-orcamento-da-ciencia-impactam-pesquisa-sobre-covid-19.shtml
[3] https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/04/13/Como-a-pandemia-afeta-a-produ%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-no-Brasil




doi>10.33501/revetos.v4n1.2020.052


Recebido: 29.08.2020 
Aceito: 09.08.2020 
Publicado: 01.09.2020